sexta-feira, 17 de maio de 2013

Meus problemas com o Vipassana como ensinado por S. N. Goenka



Nos últimos anos eu participei de dois cursos de 10 dias de meditação vipassana no centro Dhamma Santi, em Miguel Pereira. Sou extremamente grato a esses cursos por terem me possibilitado aprofundar na técnica (que eu já praticava) e firmá-la realmente como uma prática diária, deslanchando um processo acelerado de auto-transformação e superação. Os cursos são sustentados por doações e trabalho voluntário, o que reforça a autenticidade do ensinamento. Desde que fiz meu primeiro curso, recomendei enfaticamente a vári@s amig@s que lá fossem também (e alguns foram mesmo). Por tê-los acolhido sou também grato; e aos meus amigos que ainda não aprenderam a técnica, continuo a indicar os cursos do S. N. Goenka. Embora, agora, com alguma relutância, e meio por falta de opção...

Ao longo dos últimos meses vim refletindo sobre aspectos da doutrina apresentada por eles que, de início, pareceram secundários tamanhos os benefícios da técnica. A um certo ponto caiu a ficha que essas reflexões tem implicações sérias, e mereciam um posicionamento claro de minha parte. Tenho também sentido uma urgência de não me calar, de não me intimidar perante o debate - é uma das formas que tenho de ajudar no aprimoramento cognitivo meu e da humanidade (que se tornou hoje a minha prioriedade em termos de intervenção social). Não sei quanta abertura as pessoas envolvidas com a organização de S. N. Goenka tem para críticas, mas não é na abertura alheia que vou me mirar em minha sinceridade - e nesse ponto busco seguir os passos do próprio Buddha, que foi extremamente subversivo para sua época. (1)

Os problemas que vejo são:

1-Substituem o sectarismo da doutrina pelo sectarismo da técnica

Em seus cursos, a todo momento, S. N. Goenka enfatiza o caráter não-sectário do vipassana: é apenas uma técnica - portanto que não exige nenhuma crença específica, não pede que você mude de religião, abandone seus deuses ou suas convicções. Para praticar vipassana é necessário apenas praticar "Sila, Samadhi e Panna" - ou seja: ter um comportamento ético (segundo os 5 preceitos budistas, que são bem genéricos e bem na linha do que a maioria das religiões prega - mais sobre isso depois) e buscar o controle da mente e a sabedoria (através das técnicas de meditação por eles ensinadas). Tudo estaria ótimo até aí, não fosse o fato de que S. N. Goenka enfatiza em vários momentos que o praticante de vipassana não deve praticar nenhuma outra técnica de auto-transformação. Ele alega que misturas são muito perigosas, pois você não sabe no que vão dar, e pode se estrepar no processo.

Agora, acho ok que ele soe este alerta, pois tecnologia yoguica deste tipo afeta o corpo e a mente de forma muito profunda e realmente ninguém sabe quais serão os resultados de antemão. Contudo, eu acho que as pessoas não devem ser protegidas do risco a todos os custos. A experimentação pode dar resultados também maravilhosos, e se existem caminhos mais diretos pra libertação, eles PRECISAM ser descobertos e divulgados RÁPIDO, pois a humanidade tem andado numa corda bamba. É justo que as pessoas saibam com clareza até onde vai o terreno conhecido e a partir de onde passam a seguir pela própria conta e risco - mas é paternalista repetir várias e várias vezes para que não corramos risco. E não é só uma questão abstrata: os cursos de vipassana brasileiros recusaram, recentemente, duas pessoas amigas minhas, pois eram praticantes (em diversos graus de envolvimento) de Reiki.

Claro, algumas pessoas vão falar a essa altura: "Mas eles tem direito de aceitar ou recusar quem quiserem..." - e eu concordo. Não quero proibí-los de fazê-lo: mas também tenho direito de expor minha discordância, e oferecer argumentos. O meu argumento é: yogis não tem de ser protegidos como se fossem criancinhas; eles devem ser incentivados a experimentar, pois os métodos e caminhos que desenvolvemos até hoje não tem sido suficientes para impedir a humanidade de se encurralar num beco sem saída político-ecológico-tecnológico. Possivelmente existem riscos, sim, mas eles são menores do que S. N. Goenka faz parecer, e isso é atestado pela experiência de comunidades inteiras de meditadores técnicos (e realmente não-sectários) na internet que não tem o menor pudor em misturar técnicas.

Mas o sectarismo da linha de S. N. Goenka vai ainda mais fundo: segundo as palestras ministradas no curso, e também posteres por eles exibidos ao fim dos cursos em Dhamma Santi, a organização de S. N. Goenka considera que todas as outras meditações budistas são sobrevivências impuras da técnica original ensinada pelo Buddha, EXCETO claro o vipassana que S. N. Goenka aprendeu na Birmânia. Claro, né? É sempre a MINHA linhagem a mais pura, e as outras, corrompidas... Se isso não é sectarismo, não sei o que é. NÃO EXISTE TÉCNICA PURA depois de dois mil e tantos anos de história, e nem sei se seria bom sinal algo não se transformar depois de tanto tempo! Cada contexto pede um ensinamento que lhe é próprio e adequado. Os efeitos de cada ensinamento merecem, sim, ser discutidos - e essa discussão é o contrário das alegações de pureza e do "sectarismo da técnica" propagado por S. N. Goenka.


2-A organização de S. N. Goenka parece querer o monopólio da palavra Vipassana

Pouco depois que me juntei a um grupo de Vipassana no Facebook, fomos comunicados pela equipe do Dhamma Santi de que deveríamos nos adaptar às regras de conduta e funcionamento da organização de S. N. Goenka, ou mudar o nome do grupo. Como vipassana é um nome que não é propriedade de nenhum grupo específico, em coletivo decidimos conservar o nome desta forma. Restou, para mim, uma impressão muito negativa desta atitude.


3-O problema deles com a sexualidade e com psicoativos

Um dos cinco preceitos da "Sila" (ie., ética ou moralidade) é: "abster-se de comportamento sexual impróprio." Esta é uma regra para praticantes leigos de vipassana; os monges budistas, claro, se abstêm completamente de sua sexualidade. Segundo a wikipedia, o Canôn de Pali explica:
Abandonando a conduta sensual imprópria, ele não se envolve sexualmente com aquelas que são protegidas por suas mães, por seus pais, por seus irmãos, por suas irmãs, por seus parentes, ou pelo seu caminho religioso [dhamma]; com aquelas que tem maridos, com aquelas que conduzem a punições, ou mesmo aquelas coroados com flores por outro homem.
Começo dando um desconto pra forma machocêntrica desse discurso, afinal, 2500 anos antes do feminismo né? Me perturba também a forma socialmente conservadora que esse preceito assume. Basicamente poderia ser resumido em 'não arrume problemas com sua sexualidade', o que não necessariamente é a conduta mais compassiva: num mundo de INTENSA repressão sexual e domínio da família por sobre o corpo das pessoas, repressão essa que é causa de todo tipo de conduta doentia - enfim, há que se questionar isso tudo, e não simplesmente se resignar caso o pai ou irmão de uma mulher considere que o corpo dela pertence a eles! Mas vá lá, 2500 anos antes de Reich.

Agora, isso que o Canon de Pali diz não é exatamente o que a organização de S. N. Goenka entende como boa conduta sexual. Segundo um colega meu que fez essa pergunta para os professores em um dos cursos (e vale enfatizar que, pelo que entendi, as respostas dos professores são todas padronizadas segundo a doutrina da organização), sexualidade correta é ter um parceiro apenas. Já de cara isso me exclui pois sou poliamorista - ou seja, acredito e vivo a experiência de me relacionar de forma íntima e duradoura com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, e naturalmente permito isso às parceiras. (faço notar que a organização de S. N. Goenka exclui também todos os adeptos de religiões poligâmicas, como o islamismo e o mormonismo)

 Não me baseio apenas no relato da resposta dada a meu amigo; em seus cursos de 20 dias, a organização de S. N. Goenka só aceita alunos antigos que tenham no máximo um único parceiro sexual estável. E enfatizam: "espera-se que meditadores avançados não pratiquem o auto-sexo". Care to justify, parce? Em nenhum momento na filosofia exposta por eles há qualquer tipo de justificativa, explicação ou argumento no tocante à masturbação! (2) É assim: você, praticante dedicado, decide que quer meditar 20 dias com S. N. Goenka, e de repente, descobre que não deveria estar mexendo no seu pipiu ou perereca (eu sei que é gostoso, mas "espera-se"!). Ao menos para a monogamia eles tem um argumento (segundo o tal relato anedótico de meu amigo que perguntou a um professor sobre esse preceito): quando você tem um parceiro fixo, sua energia se 'estabiliza', e isso deve ser importante para seu progresso. Ok, mas e quem tem mais de um parceiro, mas todos fixos, essa estabilização não ocorre? Estariam os caminhos e práticas do misticismo vedados aos poliamoristas e sociedades polígamas?

Sendo sincero, acho que a questão é mais simples, e possívelmente se estende ao budismo de forma mais geral. Segundo o que o Budismo propõe, a causa de nosso sofrimento é a reatividade, isto é, o apego às sensações prazerosas e a aversão às sensações dolorsas. Disto poderíamos concluir que simplesmente sumir com essa reatividade e tocar a vida segundo nossa vontade, aceitando tanto o prazer e a dor em sua naturalidade - seria suficiente pra extinguir o sofrimento, mas não! O budismo faz juz à sua origem no ascetismo indiano, e é extremamente desconfiado do mundo dos sentidos.(3) Por exemplo, um dos preceitos para os monges (e que os estudantes antigos de vipassana devem também seguir, durante os cursos):
Eu me proponho a abster de cantar, dançar, tocar música, participar de performances de entretenimento, usar perfume, cosméticos e acessórios decorativos.
Suponho que a teoria é de que essas 'distrações sensoriais' poderiam obscurecer a percepção de que existir é sofrer, e logo obscurecer o desejo de cessar com toda a experiência ou cessar as ondas mentais. Porém, essa ênfase filosófica no sofrimento inerente ao existir não é compartilhada por todas as escolas místicas (embora todas que se prezem concordem que o objetivo é erradicar a reatividade). Compare esta atitude com o uso que o Tantra e o Hermetismo fazem das cores, danças e músicas como ferramentas de elevação da consciência. Essas tradições são exemplos de linhagens que tem seu foco na POTÊNCIA. Ou seja, consideram ser preciso transcender o apego e aversão para realizar o máximo possível de nosso impulso biológico e mental, para trazer nossos corpos e mentes à sua plena saúde e vigor.


Esse me parece o caminho mais 'grounded', mas pé-no-chão, mais saudável. O que quero dizer é que a filosofia budista precisa atravessar o moedor de Nietzsche (uma filosofia que parte da fuga do sofrimento como dado fundamental é uma filosofia para escravos - não fosse sua ênfase na compaixão, os budistas seriam apenas um tipo de 'suicida cósmico') e soltar o quadril com Wilhelm Reich (o corpo, a matéria e o prazer não são um problema, eles são funções normais de nosso organismo que podem ser simplesmente aceitas. O melhor remédio contra a obsessão com a sexualidade é a plena satisfação sexual!) Conter o tesão e não se masturbar equivale a ficar segurarando o cocô ad eternum; é uma interrupção de um fluxo vital, algo que, prolongado durante tempo suficiente, pode se tornar doentio. Faço minhas as palavras do ocultista britânico Aleister Crowley:
É um erro terrível deixar que qualquer impulso natural, físico ou mental, se estagne. Erradique-o, se quiser, e resolva a questão; ou o sacie, e assim o tire de seu sistema; mas não o permita ficar lá e apodrecer. A supressão do instinto sexual normal, por exemplo, é responsável por milhares de malefícios. Em países puritanos você inevitavelmente encontra uma preocupação mórbida com o sexo, casada com cada forma de perversão e degeneração.
De resto, reconheço o papel que as renúncias podem ter em explicitar nosso apego por certas sensações ou comportamentos. Contudo, as renúncias não precisam ser permanentes para suprir este efeito, e não há nada que torne uma renúncia (como a renúncia à masturbação) inerentemente mais importante que outra (como por exemplo, a renúncia a comer açúcar, algo com o qual as pessoas tem muito apego e que não é demandado dos meditadores para cursos de 20 dias).

Quanto aos psicoativos: uma amiga minha desejava oferecer trabalho voluntário em um retiro e eles a aceitaram, com a condição que ela abstivesse de beber ayahuasca nos meses que seguiriam até o retiro. Uma outra pessoa relatou a ela que em alguns centros de S. N. Goenka em outros países as pessoas são rejeitadas até mesmo por consumirem a maconha socialmente (felizmente aqui no Brasil o Dhamma Santi não é tão rígido, ou se relegariam a uma obscuridade quase completa!).
É um preceito budista a abstenção de intoxicantes. Infelizmente, o conceito de intoxicante da organização de S. N. Goenka envolve todas as substâncias alteradores de consciência, menos café (que é servido durante os cursos). Eu discordo dessa percepção, primeiramente porque há certos alteradores de consciência (muitos deles considerados "drogas" e atualmente ilegais) que podem ser usados para trazer sanidade e tem histórico de uso pra fins místicos (na própria India temos usos rituais da maconha, entre saddhus shivaístas, bebidas alcoólicas no tantra; os xamãs e magos de todos os tempos recorrem a psiquedélicos, tabaco, etc.) Se a decisão do que é ou não intoxicante fosse deixada em nossa mão, eu estaria tranquilo, pois concordo que alguns usos de substâncias podem ser muito danosos e escapistas, porém não é assim que eles encaram. E isso me leva ao próximo ponto:


4-Retiro formatado, vida em receita de bolo

Os últimos dois mil anos foram marcados por organizações 'receita de bolo' com fórmulas de salvação universal. O lema era 'arrebanhar', 'pastorear', trabalhar moldando multidões. Se tem uma conclusão que podemos tirar de uma análise crítica desses milhares de anos, é: não funcionou. Fornecer às pessoas as respostas certas pré-fabricadas, o manual de instruções pra vida, é remover delas a potência de decidirem por elas mesmas. O que quero dizer é que a idéia em si de um manual de instruções padronizado pra vida das pessoas é uma idéia venenosa, por mais que as instruções sejam úteis a muitos. Um yogi plenamente maduro é capaz de descobrir, por sua própria experiência, o que ajuda e o que atrapalha o seu caminho. Ele pode buscar referência nas tradições, mas não precisa se restringir a nenhuma. O próprio Buda não seguiu os manuais de instruções de seu tempo; devemos fazer como ele disse, ou fazer como ele fez? Cada um mira tão alto quanto é capaz de enxergar. Sei que a receita de bolo traz proteção e alento a alguns; e se o que buscam é proteção e alento - que assim continuem, não vou proibir ninguém. Mas não vou deixar de dar nomes aos bois, e desafiar a fazer melhor!

Tá, em sua defesa, os monges birmaneses tem (sei lá) dois mil anos de experiência em ensinar vipassana daquele jeitinho padronizado, e podem dizer que funciona; eu, tenho menos de dois anos de prática diária, quem sou eu pra dizer o que serve e o que não serve a meu caminho? Mas eles não me conheceram. Eles ensinam para a cultura deles, segundo métodos de eras ha muito passadas; mesmo na cultura deles, deve haver os que não se enquadram, e mesmo nas épocas passadas, devia haver o mesmo! Nesse ponto, estou com o professor de sabedoria Kenneth Folk:
Parece que o povo birmanês, de uma forma geral, concentra-se tão bem que é difícil para eles aprender o vipassana. [...] Ocidentais, por outro lado, não tem nadica de nada de concentração. [...] Quando monges birmaneses dão para yogis americanos instruções que foram elaboradas visando yogis birmaneses, o resultado é esforço demais e concentração de menos.
Isso se reflete também no modelo de curso que eles colocam. Não nego que pra muitos convêm - a rotina pré-formatada, a única voz permitida e o pseudo-consenso resultante - e pode ser, sim, muito pedagógico usar essa estrutura de autoridade pra se arrastar para fora da zona de conforto. Porém, uma vez aprendida essa lição, podemos assumir as rédeas e declarar independência. Um professor de sabedoria com o qual muito simpatizo propôs um modelo diferente de retiro espiritual, que ele chamou de Unretreat. A idéia é uma espécie de retiro de meditação auto-gerido, e tentar usar o input do grupo para balancear o auto-engano e o comodismo que pode nos acometer quando assumimos as rédeas de nossos processos. As vantagens são inúmeras, e vão bem além das questões que levantei nesse texto.


Por todas essas razões, sou hoje relutante em sugerir os cursos de vipassana de S. N. Goenka para meus amigos (e, pelas mesmas razões, não pretendo mais lá retornar). Mas reconheço também que na falta de uma alternativa, melhor aprender vipassana lá (e ouvir as críticas de minha boca) do que simplesmente não aprender.

Tenho pensado que a verdadeira solução não virá transformando os centros do S. N. Goenka (coisa que, sinceramente, acho que não vai acontecer), e sim numa solução pro-ativa, fazendo do jeito que acho (achamos?) que deva ser. Nesse sentido, esse texto é não só uma provocação, mas também uma convocação aos meditadores heterodoxos que sei que devem haver por aí.

Metta!

(1) A doutrina budista de "anatta", ausência de essência de um si-mesmo, negava a existência do "Atman", o Eu-superior transcendente, que era doutrina oficial sacerdotal de seu tempo, e a sustentação ideológica do sistema de castas. Ou seja, o caminho proposto por Buddha envolvia a desestruturação de TODA A ORDEM SOCIAL de sua terra natal. Ele tem meu profundo respeito por isso!

(2) Aliás, eu não deixei de reparar que nas instruções pra prática do vipassana, ao enfatizar o 'escaneamento' que o meditador faz por sobre seu corpo com sua percepção, eles pulam a área dos genitais. Em meu curso, um aluno fez questão de perguntar se deveria incluir os genitais (embora eu tenha considerado óbvio que sim), e naturalmente, o professor confirmou.

(3) sei de uma exceção a isso, o budismo tibetano - que é, também, uma linhagem tântrica.

*Desconheço os autores das imagens que divulguei nesse post. Se souberem quem são, por favor me informem. Se você é o autor e deseja que eu remova sua imagem também basta entrar em contato.

22 comentários:

  1. Concordo com todos os pontos que voce colocou, mas pro meu aprendizado, ainda preciso me submeter a tudo isso. E é submeter mesmo, porque por mim eu não faria dese jeito. Vipassana foi muito bom, e eu vou continuar até poder continuar sozinha (ou até que me convertam de verdade, sabe-se lá =P). Eu achei que no seu texto voce tá muito coerente com o que voce vive, mas pra quem ta perdido como eu e muita gente que vejo por aí, pode ser uma experiência de vida muito importante se abster de algumas coisas por um tempo pra se fortalecer. Ou talvez eu esteja subestimando as pessoas... mas no meu caso, é assim que me sinto. =(

    ...
    sobre as regras:
    quando eu fiz o curso de 10 dias, eu comecei sem entender o porque da necessidade de não tocar as pessoas, mas ao longo do curso, eu tive uma sensação de que minha pele estava ficando mais sensível, e de que os contatos seriam distrações sensoriais e que, sem isso, eu conseguiria perceber melhor as sensações mais sutis. Isso deve ter a ver com as tais trocas energéticas, mas pra saber, deveríamos fazer uma experiência pra comparação e fazer um retiro com todo mundo pelado pra ver se o contato com roupas não é também uma distração sensorial, heheheh

    outra coisa que você esqueceu de falar é sobre aquilo de separar homens de mulheres. Tá, se tivesse um gatinho no meu quarto uma distração poderia rolar sim... mas e as lésbicas e gays e bis, coitados? Sei que não tem solução fácil, mas acho que o melhor era deixar tudão misturado e por a galera pra se observar, né? ou perguntar na ficha, que que a pessoa acha melhor pro processo dela...

    ....

    agora, repensando sobre as regras e sobre como me sinto, acho que ando precisando de quem me dite algumas por ser fraca demais pra fazer minhas próprias. Mas acho massa você esperar mais que isso das pessoas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pelo lido aqui (disculpe meu portugues ruim, eu falo espanhol, rsrs), os fundamentos de Harlequinade se basam muito poco na experiencia e muito nas palavras de outros. So tem 2 cursos de 10 dias, ainda nao tem experimentado apenas um servicio ao Dhamma, e com certeza, nao esta praticando diariamente vipassana como e devido; mas ta bom, pois nao e nada facil (para mim ainda nao e facil praticar, pois a mente e muito condicionada e gosta mais das conductas habituais)

      Treinar a mente e um processo muito complexo, que implica destruir condicionamentos adquiridos desde o nascimento e crear novos, establece-los na profundidade da mente (esto significa, que surgiram naturalmente) e experimentar desta forma a realidade. Para que um treinamento deste jeito realmente tenha sucesso (e esto e aplicavel a qualquer metodo de treinamento) se precisa muita disciplina, trabalho constante, no desperdiciar tempo em outras técnicas alternativas (quer dizer, no desviar a atencao a otras formas de treinar para obter os mesmos resultados) e ter pacienca; a medida que os resultados chegam, naturalmente um mesmo fica mais convencido e trabalha melhor.

      Cualquer mestre de qualquer disciplina (fisica o mental) experimentado e que realmente tem conseguido sucesso na sua pratica va a falar a mesma coisa: um estudante que nao segue as instrucoes, que faz experimentos sem ser um praticante experimentado o bem treinado,
      tem mais probabilidade de errar que ter sucesso, e mais ainda, se leva a outros por esse caminho so está acumulando demeritos, pois leva a gente pelo caminho da sua ignorancia, evitando que a gente tenha accesso a os ensinos na sua pureza mesma. Se para vc isso e sectario, ainda nao compreende qué e sectarismo.

      Excluir
    2. Um bom ensino tem carateristicas muito faceis de reconhecer:

      - O sucesso depende do propio treinamento... propio treinamento nao significa sem um mestre... Buda se treino sozinho, mas logo de 6 anos treinando-se com diversos mestres muito experimentados, e cuando superou a eles, continuou sozinho, ate conseguir a verdade ultima

      - Os resultados comecam-se a ver imediatamente, se praticou seriamente, assim sera.

      - O mesmo metodo funcionara igualmente com outros, se eles pratican do mesmo jeito e sob as mesmas condicoes.

      - Nao precisa agregar o quitar nada, significa que assim como e ja ta dando certo. Se alguem diz que agregando esto o aquilo da melhor, ta bom, se pode demostra-lo, e mais ainda deve reconhecer que ja nao e o mesmo metodo. Nao e sectarismo dizer que depois de Buda muitos grupos apareceram com seus proprios jeitos de praticar. Aqueles que desenvolveram esses novos metodos nao podem dizer que e vipassana como o Buda ensinou, pois ele era totalmente contra praticas com rituais o elementos auxiliares como rosarios, imagens, visualizacoes, verbalizacoes, etc. Por isso se fala que Tailandia e Birmania conservam ainda a pratica, pois issos metodos foram conservados sem ritos o elementos auxilares. Basta leer os suttas do Buda mais antigos e praticar tal e como diz ai para se dar conta como e a maneira correita.

      - Cada vez que seja praticado o metodo levara ao praticante um paso mais perto da meta final do sistema aprendido. Esto e aplicado a qualquer metodo. Quem esta praticando outras coisas simultaneamente, com o mesmo objetivo, esta cometiendo 2 erros:
      1. Perde tempo em outras tecnicas em vez de tornarse experto com uma (entao, tarda mais em chegar ao final do caminho, por isso nao tem certeza se o metodo funciona, ne tampouco se os outros metodos funcionam, porque nao tem chegado ao final... autoengano)
      2. Obstaculiza o seu proprio progresso, porque a mente e muito delicada; primero tem que aprender que se trabalha deste jeito, e despois deste outro jeito, todos os días... así com certeza, todo progresso real e bloqueado. Outra forma de autoengano

      - Alem de tudo esto, se o ensino e realmente bom, vc se torna cada dia mais feliz e satisfeito com sua vida, nao precisa de outras coisas, entao sozinho vai abandonando formas de vida anteriores e mudando a outras mais simples e saudaveis (dieta mais sana, menos abundante e menos prejudicial para outros tambem; vida sexual mais conservadora, monogama e mais tarde incluso celibe; evita gente e situacoes prejudiciais para vc e outros; deixa pouco a pouco o uso de alcool, tabaco, cocaina o cualquer outra sustancia o planta de poder, nao porque o diz um Buda o a Igreja o quem seja, simplesmente porque uma mente mais pura ve melhor. Vc nao tem que acreditar que isso e um ensino correito, tem que experimentar, e depois falar, nao guiar a outros pelo mesmo caminho seu, da ignorancia de fazer que vc quizer sem demostrar os resultados. Eu falo disso porque eu ja experimentei. E assim acontece com a maneira de falar, com a maneira de vestir, e tudo na vida. Se vc nao acredita o nao aceita, ta bom, e sua decisao, mas nao descarte ate nao experimentar, pois isso so dana a vc e a tudo o quem acredita em vc.

      Excluir
    3. Tudo o que vc consiga com experiencias artificiais, como plantas de poder o similares, eu sei por propria experiencia, é artificial, e nao constitui um real treino da mente, pois para treina-la deve trabalhar com ela... se vc quer baixar de peso, sai a correr 10 km todos dia, no vai de carro 10km todo dia, compreende? Mas se vc quer so a experiencia sensorial que a pratica profunda de vipassana da, como efecto secundario, pois claro, vc pode conseguir isso mesmo sem esforco, usando uma planta de poder o cualquer droga, mas a purificacao mental REAL so e possivel conseguir com um treino serio, seja com Vipassana o com qualquer outra tecnica) O demais e so autoengano, e a gente gosta muito disso, nao quer compreender.

      O sectarismo significa "vc nao pode pertenecer a nosso grupo porque nao tem estas qualidades o habitos", nao significa "vc nao pode praticar esta tecnica porque nao esta en condicoes aptas e seguras para vc e outros"... Por tanto, se vc realmente quer juzgar de sectaria alguma coisa, primero deve compreender a diferenca entre ser rejeitado por ser diferente e ser rejeitado por nao estar preparado adecuadamente para o treino seguro e com sucesso.... Se vc quer pular em paracaidas sozinho, primero debe seguir um estricto plan de treino, entre as exigencias ta no consumir uma soa pinga de alcool, por exemplo, o pode morrer com certeza; se vc quiser pilotar um aviao, mesma coisa... se vc ne siquer sabe leer, nao pode ser piloto!

      Por tanto, se vc nao tem uma mente minimamente acondicionada para treinar Vipassana num curso intensivo de 10 dias (esto quer dizer, ser capaz de se manter 10 dias sem sexo de nenhuma clase; sem consumir tabaco, alcool, cocaina, maconha, essencias florais, ayahuasca ou qualquer coisa similar, ter praticas energeticas basadas en verbalizacoes, visualizacoes, imaginacao, o simplesmente sentir coisas especiais; sem tomar o que nao foi dado de ninguem; sem falar de jeito nenhum o ainda mais, sem falar coisas que possam prejudicar a alguem o que sejam inuteis o innecessarias, sem vestirse adornarse de alguma forma para chamar a atencao e desconcentrar a outros(de qualquer jeito); evitando danar fisicamente a qualquer ser o mais possivel, nao tindo alguma clase de transtorno psiquiatrico sem tratamento o sem control, e finalmente comprometido 100% a trabalhar rigurosamente, seguindo cada instrucao como e dada) voce nao esta em condicoes de assistir a um curso de 10 dias, porque pode ser prejudicial para vc e para outros, alem disso, seria poco produtivo para vc e ainda mais para outros e, ainda mais, fomenta que uma tecnica tao util e pura, conservada por tantos seculos seja poluida e perda seus beneficios mais que demostrados. Os mestres tem muitos anos treinando-se, a tradicao e muito antiga, e eles ja conhecem que acontece cuando nao se tem tanta disciplina. Nao e sectarismo, e experiencia. Eu ja tenho mais de 15 cursos, cuando apenas tinha 2 cursos ainda nao era um praticante serio, e passei por diversas experiencias... Pouco a pouco fiquei mais serio, e minhas condutas foram mudando pouco a pouco, e fui deixando o consumo de sustancias, praticas alternativas contraindicadas, mudo minha dieta (naturalmente, sem sacrificios o autoexigencia), minha conduta sexual tambem tem ido mudando (desde promiscuidad, poligamia, autosexo, etc. agora sou monogamo e com certeza o celibato e possivel que chegue, mas ainda nao; nao entanto posso dizer que meus periodos de celibato extremo, 5 meses, foram os mais proveitosos na pratica de vipassana, e me pertitiram ter actualmente uma vida de casal muito mais saudavel que antes)

      Disculpe humildemente minha falta de dominio da lingua portuguesa, sigo trabalhando para melhorar, e espero que nao considere meu comentario como uma descalificacao u ofensa, sino tudo o contrario, uma aclaracao para ajudar a vc a compreender melhor a mente e trabalhar com mais cuidado, porque a mente e muito delicada.

      Muito metta amigos

      Excluir
    4. Para responder a pregunta de Katja Guedes, o que eu recomendo a voce e:
      - Escolha UM so metodo que este orientado ao objetivo que voce busca (por exemplo, se voce precisa purificacao da sua mente, escolha Vipassana, de qualquer tradicao, cualquer metodo espiritual que dizer que conseguira sucesso, o incluso pode escolher alguma planta de poder, mas nao abandone o metodo ate conseguir chegar ao final desse caminho, ne misture com outras coisas ate conseguir chegar ao final do caminho escolhido)

      - Praticar seu metodo seguindo as instrucoes o mais rigurosamente possivel. Os resultados obtidos com certeza aumentarao sua conviccao para seguir perseverando.

      - Se consigue alcancar a meta, compartilhe o metodo com outros.

      - Nao se deixe guiar pelos comentarios de outros sobre qualquer tecnica. Experimente, chegue ao final e depois faz a conclusao.

      - Evite metodos o movimentos que rejetam a voce por ser o pensar diferente e confie e obedeca as regras dos metodos que precisam de preparacao previa para praticar, independentemente do que voce acreditar.

      Excluir
  2. antes de começar, precisei separar a mensagem em partes para que ela pudesse ser aceita.
    [parte 1]
    Caro amigo meditador, em partes concordo com alguns dos seus questionamentos mas por outro lado não acho que a melhor maneira seja criar uma aversão focada nos desconfortos que lhes foram causados pelo "sectarismo" ou pelas regras estabelecidas. Sou meditador vipassana antigo também e confesso que algumas vezes me senti irritado e contrariado também. Mas no entanto acredito que é muito importante realizarmos uma reflexão dos "porques"; obviamente como todas as organizações possuem falhas a escola de vipassana segmentada por Goenka também possuí certas limitações, isto por que: Uma técnica "recém redescoberta" multiplicada e alimentada para projeções mundiais necessitam de parâmetros de funcionamento, outra questão é que a efetividade da técnica pode ser comprometida a medida que a misturamos com outras técnicas, portanto alguém que conhece vipassana pela primeira vez deve se submeter a aquele formato de aprendizado se quiser realmente colher frutos semelhantes aos que você e eu e tantos outros meditadores comprometidos estão colhendo, a questão das shillas e da sexualidade também é um outro ponto muito importante a ser observado, o fato é que realmente a medida em que nos relacionamentos e compartilhamos nossas energias de forma intima e sexual podemos nos desestabilizar isto por que por trás da relação há uma troca intensa de fluxos energéticos e karmicos (acredito que você saiba disso e eu não precise entrar em detalhes para exemplificar). Uma coisa que percebi também com a experiência própria é que a medida que evoluímos dentro da trilha a nossa mentalidade "degradativa" também se desenvolve e começa a criar novos formatos de inteligência para tentar suprir a nossa capacidade evolutiva e nos aprisionar aos velhos padrões habituais ou ciclos de desejo decadentes, gostaria de lembrar que como o nosso professor Goenka nos diz em sua ultima palestra, quando voltamos para casa temos a opção de acatar e se alimentar da maneira como nos foi ensinado (para o nosso próprio crescimento e beneficio) ou se desfazer das coisas assim como uma criança que não se agrada de um prato de arroz doce feito com cravos e outros condimentos e simplesmente retira aquilo que não quer mas mesmo assim se alimenta, lembra-se disso? O mais importante e fundamental dentro cada um é adotar uma postura de maturidade, e vipassana é isso, é realmente um caminho cheio de moralidade, e uma moralidade madura, é um caminho de conduta equilibrada e ascendente que nos permite crescer e visualizar outras pontas deste horizonte tão infinito, se você não se satisfez e gostaria de misturar a técnica, faça isso, não tenha medo do que você chama de protecionismo, se você quer ter parceiras sexuais incontáveis, também é problema seu, como dizia nosso mestre buda: "Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o."
    Cada um recebe a aula de "nataçãologia" e essa aula é dada com muito amor e carinho, cada participante do curso recebe a mesma técnica, a mesma atenção, a mesma alimentação e as mesmas instruções para que TODOS tenham a mesma oportunidade de receber a jóia perfeita assim como é e depois cada um pode fazer o que bem quiser com o seu tesouro.

    ResponderExcluir
  3. [parte 2]
    E mais uma coisa, aqueles que tiveram problemas em serem aceitos para um curso de vipassana, talvez não foram aceitos por que não aceitaram se submeter ao código de conduta integralmente. Não devemos distorcer as coisas, devemos avaliar com objetividade e clareza e sobretudo não devemos julgar sem que tenhamos nos aprofundado com verdadeira entrega a aquilo que nos foi proposto. A escola possui padrões e métodos antigos, estamos em outro século, tudo bem, isso eu concordo, mas ir contra o caminho da moralidade e do respeito que é parte fundamental para conseguirmos manter a prática de forma saudável talvez não seja a solução. Talvez o discurso deva se renovar e se adequar aos tempos atuais, mas propor uma revolução que equaciona a perda da busca pela pureza (e pureza verdadeira) talvez não traga efetividade.
    Talvez seja necessário uma flexibilidade maior a respeito de alguns parâmetros mas dentro do que diz respeito ao método inicial que é doado mundialmente da mesma maneira, talvez, este seja o método mais efetivo pois não abre mão dos principios mais básicos para a comprovação da efetividade da técnica
    Essa é a minha opinião sincera e não tem vinculo nenhum com a instituição,
    com as minhas melhores intensões.
    Metta!

    ResponderExcluir
  4. Olá Galdino, valeu pelo comentário. Discordo de algumas coisas, então vou te apresentar alguns argumentos:
    1-Não confundamos "aversão" com "análise crítica". Aversão é uma negação da experiência, uma reação automatica a uma sensação desprazerosa, uma fuga do que é; análise crítica parte de uma reflexão ativa e se baseia numa afirmação da experiência, isto é, um engajamento pleno no que é. O pior dos obscurantismos nasce quando rejeitamos a análise racional e crítica como forma de ação política (e tenho certeza que o Buda, uma figura extremamente racional, não concordaria com esse rumo)

    2-Quanto às misturas karmicas e energéticas que aconteceriam como resultado do sexo: nunca senti isso que as pessoas dizem. Aliás, depois de transas plenas (aquelas que envolvem sinceridade e apreciação mútua), geralmente meu humor e energia se elevam consideravelmente por vários dias. Me considero uma pessoa razoavelmente sensível a energias (algumas de minhas práticas inclusive exigem esse tipo de sensibilidade). Suspeito que as pessoas que reportam essas 'misturas energéticas e kármicas' indesejadas (supostamente provenientes do sexo) possam estar confundindo o mal-estar causado por culpas (possívelmente inconscientes) de sua criação cristã e repressiva com resultados da troca sexual em si.

    ResponderExcluir
  5. 3-Há que se distinguir moralidade e ética; moralidade é uma série de regras (estilo 10 mandamentos) sobre como se comportar; ética é uma reflexão sobre quais princípios devem nortear nosso comportamento. São coisas opostas; a moralidade propõe uma idealização inflexível do que é o certo, e sempre certo; os princípios éticos, ao contrário, não são prescritivos, ou seja, eles compreendem que cada situação pede uma adaptação, uma invenção, para que nos mantenhamos fiéis a eles. Sila pode ser traduzido de ambas as formas, como Ética ou como Moral; aliás, o que no Goenka traduzem como "Correto" - fala correta, etc; - em inglês traduzem pra "Skillfull", ie., "habilidoso". Isso faz toda a diferença. Não existe comportamento "incorreto" em si! Existem meios que não conduzem aos fins. Digo isso tudo pra afirmar que nenhuma moralidade deve ser vista como sacrossanta. E que não devemos ter medo de ser revolucionários, se o que nos guia é a própria compaixão! Buda foi EXTREMAMENTE revolucionário (perante o bramanismo ele era algo como o equivalente do que hoje é um satanista). Ele negou a Deus e o sistema de castas! É claro que o respeito tem de ser uma atenção básica nossa. Respeitar pessoas, mas não regras, idéias e sistemas!

    4-Você disse: "se você não se satisfez e gostaria de misturar a técnica, faça isso, não tenha medo do que você chama de protecionismo, se você quer ter parceiras sexuais incontáveis, também é problema seu" - Você talvez não tenha entendido. Eu já misturo técnicas, não tenho medo disso. A questão é que o sectarismo da técnica de Goenka é incoerente com a própria proposta não-sectária deles, só serve para nos separar e para anular as possibilidades de troca e descoberta. Se você não quer misturar técnicas, não misture, mas Goenka trabalhar pra inculcar medo de experimentar nas pessoas, e contra isso, me oponho. Quanto às parceiras sexuais, não é problema, é solução - problema seria eu ter de escolher com quem terminar uma relação amorosa, prazerosa e duradoura para poder me enquadrar nos padrões birmaneses do que é uma sexualidade aceitável. O problema é a organização de Goenka, apesar de sua técnica libertadora, estar junto ao coro da repressão sexual que causa enorme miséria. O que é a ação habilidosa? - provoco novamente - reforçar a crença de que o corpo é ruim, impuro, e manter a alienação das pessoas em relação a si mesmas? Eu sei que a organização de Goenka não vai mudar... Mas, novamente, não é pelos outros que eu vou medir a minha sinceridade; aonde vejo repressão, chamo de repressão. Não me importo em ser impertinente, acho é que faltam pessoas impertinentes por aí, estamos muito comodistas enquanto a raça humana tá metido numa situação crítica.
    Metta!

    ResponderExcluir
  6. bom, gostei dos seus argumentos, não vou debater por que minha opinião é a aquela lá que eu já escrevi... no nível da intelectualidade sempre vamos criar mais e mais argumentos, sempre vamos tentar conduzir a ideia para o nível da nossa auto satisfação, se nos convém, nos convém, certo? e sempre é assim.
    Se você acha que a proposta de Goenka poderia ser melhor, então faça a sua proposta e apresente ao mundo e isso no nível prático e eu até percebo que você já começou através dessa exposição intelectual a respeito da sua opinião, se puder também e sentir no coração, tente ir para servir... Eu tenho certeza de que o que moveu nosso professor a dedicar sua vida, tempo e energia foram ações puramente altruístas e desinteressadas. Ele compartilhou conosco o melhor que ele tinha a oferecer e que cada um, dentro de suas razões e limitações encontre uma maneira de contribuir para a elevação e crescimento deste mundo. Ou que cada um tenha pelo menos juízo de si! Não acho que a instituição seja como uma igreja ou religião e de que a gente precise seguir tudo ao pé da letra, ao final dos 10 dias cada um é o seu próprio mestre.

    ResponderExcluir
  7. Eu concordo com isso tudo que você escreveu agora! Salvo ir pra servir, que em meu presente momento não me dá vontade. Mas não tenho dúvidas que pode ser uma experiência maravilhosa! De qualquer forma, obrigado pela contribuição e... Metta!

    ResponderExcluir
  8. toda vez que a gente começa a trabalhar com seriedade a gente trabalha por nós e por todos os seres, quanto mais essa roda de puro Dhamma girar melhor será todos os universos interligados!
    vamos continuar nos elevando sempre! /\
    muita metta irmão!

    ResponderExcluir
  9. Grata pela reflexao. Concordo, mas ainda tenho vontade de frequentar o curso porque me fez bem. Algumas regras me deixam com raiva e outras nao entendo...Fiz 2 vezes e vou fazer a terceira nesse ano. Enquanto o saldo for positivo pretendo continuar. E nao descarto a possibilidade de encontrar novos caminhos. Se eu encontrar algo que me fa'ca bem, praticarei com alegria. Metta.

    ResponderExcluir
  10. Nossa, não sabia que deveria excluir a parte do penis hahahahha, na meditação eu me concentrava ali também e vinha uma grande quantidade de energia...

    ResponderExcluir
  11. Na verdade, a técnica é escanear o corpo todo, incluindo os genitais. É só que eles pulam os genitais na hora que vão mencionando o corpo parte a parte...

    ResponderExcluir
  12. Obrigado por compartilhar sua opinião! Estou indo para o curso daqui a 2 dias e já tinha feito alguns questionamentos sobre a técnica, é bom saber que tem pessoas que pensam dessa maneira.

    Abraços

    ResponderExcluir
  13. olá, meu nome é Peterson e gostei do debate iniciado pelo Harlequinade.Apesar das divergências, não descambou pra baixaria, como é comum em interações virtuais do tipo post de facebook. Concordo com Harlequinade quanto ao perigo de abdicarmos de nosso espírito crítico e que posturas responsáveis não têm de ser submissas. Namastê a todos.

    ResponderExcluir
  14. Ae Harlequinade.

    Bem vou compartilhar um pouco do que conheço talvez possa te dar uma compreensão diferente de alguns pontos.
    Eu li mas as regras dos retiros não são para serem usados no seu dia-a-dia. A yoga por exemplo é recomendada para praticantes de vipassana segundo a tradição Goenka.
    As regras são conforme são pois os retiros do Goenka tem o mesmo formato em todos os paises, assim por exemplo caso vc faça um retiro na Libia e faça um gesto de joinha com a mão fechada e o polegar levantado agradecendo por um favor que um aluno fez este gesto eh o mesmo que mandar o cara enfiar o dedo naquele lugar. Um americano fazendo um gesto de OK pode ser mal interpretado por um brasileiro como algo vulgar tambem. Dai que vem tambem as regras de não tocar e usar calças e não usar palavras como tesão, pênis, vagina nas instruções e palestras. Aqui no Brasil estas regras nem são tão importantes mas podem causar varios transtornos em outras culturas. Quando vc servir isto tudo é explicado.

    Quanto a diminuição de estímulos sensoriais não só nos retiros do Goenka mas em vários outros fazem parte dos retiros. Eh como vc pegar uma mesa cheia de papelada jogar tudo no chão e ir lidando com um problema de cada vez. Os retiros são feitos para vc ter mais tempo de observar suas reações a cada estimulo o que é mais difícil no caso do dia a dia que as reações se interpõem numa variedade imensa de estímulos sensoriais. Daí que vem:

    "Eu me proponho a abster de cantar, dançar, tocar música, participar de performances de entretenimento, usar perfume, cosméticos e acessórios decorativos."

    Todos estas atitudes acabam gerando estimulos sensoriais tanto para vc quanto para os outros alunos. Mas lembrando que são regras do retiro e não do dia-a-dia.

    Quanto a masturbação, assim como uma dor faz vc querer mudar de posição as sensações que aparecem no corpo ao sentir tesão tambem vão fazer vc querer se tocar. Vc ja fez 2 retiros, então provavelmente deve ter trabalhado com as sensações de dor. Deve ter percebido que reprimir a dor brigar com a dor não é a solução. O mesmo vale para qualquer tipo de sensação que possa aparecer, vc não reprime nem desvia a atenção apenas observa. E claro assim como no caso da dor pode chegar um ponto que vc esteja suportando a dor o que neste caso não é mais vipassana ai eh ideal que vc faça pequenos movimentos ou ateh mude a posição, para trabalhar com uma dor mais amena se o mesmo ocorrer com o tesão se masturbe. Mas a partir do momento que conscientemente vc toma uma atitude para sentir sensações que te dão prazer seja por meio de intoxicantes, masturbação etc. Ai vc esta alimentando seu apego por estas sensações.

    Independentemente das regras de conduta no plano fisico o mais importante é o que ocorre no plano sutil. Assim uma pessoa que se masturba todo dia por uma disfunção sexual está seguindo vipassana mais a risca do que uma pessoa que entre em sites pornográficos uma vez por semana e comece a se masturbar intencionalmente para promover em seu corpo certas sensações.

    Isto se torna muito visivel quando vc serve como gerente de um curso onde vc tem que lidar diretamente com os alunos, e nunca agir como um policial. Alguns alunos antigos acabam gerando apego as regras do retiro e acabam gerando aversão aos alunos novos que não conseguem seguir as regras. Logo estes alunos antigos mesmo seguindo as regras acabam indo na direção oposta de vipassana.

    Alem disso vc acaba aprendendo bastante e principalmente que as regras não são tão importantes o que ocorre no plano sutil eh o que importa. Vc vai vendo isso pelas instruções que o professor passa para cada aluno, com alguns ele faz vista grossa e com outros ele ja chama a atenção e outros da seu tempo.

    ResponderExcluir
  15. Como o Goenka fala num dos discursos noturnos de 10 dias. A verdade experimentada por ele não é verdade para você a verdade experimentada por Sidarta não é verdade para você. Logo se ele acredita que uma tecnica pode ser passada em seu formato original por 2500 anos sem nenhuma alteração isto não necessariamente precisa ser verdade para vc. Ou ainda acreditar que vipassana conforme aprendido por Sayagi seja o unico caminho para iluminação quando o Sidarta foi o unico Buddha a se iluminar com vipassana. E em 2500 anos não surgiu mais nenhum Buddha e o ultimo Arahant foi Sayadaw que ensinou, Saya Theti que ensinou Sayagi que ensinou o Goenka.

    Vc deve sim descobrir o seu caminho mas siga um caminho a fundo e o entenda primeiro. Escolha um não precisa ser a tradição Goenka, ha outras formas de vipassana, ou outras meditações. Mas lembre-se, se vc cavar um pouco aqui, cavar um pouco ali vc nunca encontrará agua. Escolha um e va até o fim. E matenha sempre este senso critico tambem não siga cegamente nada e nem ache que vc vai encontrar um mestre perfeito sem defeito nenhum seja Goenka, Sidartha, etc. A maioria das pessoas acabam mistificando seus mestres, idolos, e acabam esquecendo que todos eles tambem são seres humanos como qualquer um.

    ResponderExcluir
  16. CONCORDO COM TODAS AS PALAVRAS ESCRITAS. acabei de sair de um curso, estou horrorizada e vim na internet procurar saber se mais pessoas pensam como eu. Compartilho isso tudo ai Iago! Abraços


    Denise

    ResponderExcluir
  17. CONCORDO COM TODAS AS PALAVRAS ESCRITAS. acabei de sair de um curso, estou horrorizada e vim na internet procurar saber se mais pessoas pensam como eu. Compartilho isso tudo ai Iago! Abraços


    Denise

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. oi Denise porque ficou horrorizada?Grata.

      Excluir