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quinta-feira, 4 de julho de 2019
Rota 32 Podcast - Ep. 2, Mapa errado funciona?
Dessa vez chamei o Simão Cortês, estudante de astrologia, acadêmico extraordinaire e manjão de platonismo, pra gente conversar sobre dimensões filosóficas da astrologia.
Nosso ponto de partida foi uma provocação que ele tinha feito: que mesmo um mapa com a hora de nascimento errado pode funcionar, se o astrólogo acreditar que o mapa tá certo e seguir os procedimentos "rituais" de leitura de mapa fielmente.
A conversa se deu com Mercúrio aflito em Peixes então peço desculpas por alguns defeitos no áudio e pela minha abordagem devaneante. Por sorte o Simão é de uma lucidez incrível e conseguimos chegar em algumas idéias bem interessantes mais pro final, com dois modelos filosóficos diferentes que podem explicar porque astrologia funciona, e mais ainda, que podem ser testados na prática!
A boa ou a má notícia: são 2 horas e pouco de conversa. (Mercúrio em Peixes é famoso por não ter medida).
O áudio está disponível pra ouvir ou pra download, basta clicar aqui
Iago Pereira
(imagem: Istvan Orosz, "The Window Paradox")
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Astrologia, Virtude e os 4 Elementos
Um astrólogo é alguém que tem aulas de virtude com os astros.
Em seguida, ele repassa essa virtude ao público: em seus escritos, falas, atitudes e consultas.
A previsão surge por efeito da virtude.
As virtudes que possibilitam a previsão são, entre outras: confiança na técnica, uma mente afiada, escuta ativa, síntese intuitiva, expressão imaginativa.
Podemos comparar essas virtudes aos quatro elementos:
segunda-feira, 14 de maio de 2018
O GRANDE APRISIONADOR (Parte III - A Dúvida do Filósofo)
O PECADO DE LÚCIFER FOI SER FIEL À PRÓPRIA NATUREZA. Que mais poderia colocar como oposição à Deus senão a própria natureza, divinamente criada? Ou seja Deus criou Lúcifer para ser rebelde. Deus criou o opositor.
E então o puniu? Teria Deus repreendido o próprio ato? Não pode ter sido punição. A história da punição me parece então uma suprema blasfêmia, cogitar que Deus pode afirmar o mal, que o mal é divino. E se é divina a própria perfeição, como poderia o mal ser perfeito? Se fosse perfeito, não seria mal, e sim parte da positividade do universo. Só vislumbro uma resposta: O Deus da narrativa moral é impossível. E o mal não existe senão relativamente, como efeito de superfície.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
A Voz da Terra I (Podcast)
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| Clique de Maxwell Vilela em Bento Rodrigues/MG |
Está no ar o Rota32 Podcast! Começo através da série A Voz da Terra, onde irei explorar a terra de um ponto de vista ecológico, simbólico e antropológico.
Neste primeiro episódio falo sobre desastres ambientais, povos indígenas e sobre a noção de um "humano" genérico que povoa o imaginário colonialista europeu, buscando alternativas filosóficas e políticas às discussões já batidas de "comunismo x capitalismo".
Espero que gostem!
Clique aqui para ouvir ou fazer o download (86MB - duração: 46m39s)
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
A Beleza Será Convulsiva, ou Não Será
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| Loïs Mailou Jones, design têxtil para Cretonne, 1928 |
Já argumentei aqui no blog que é um terrível empobrecimento pautar a Arte como uma sub-seção da Decoração. Realmente, nas paredes de nossas casas, a maioria de nós prefere imagens que transmitam conforto, porque a função principal de uma casa é refúgio e descanso. Não há nada de errado nisso, mas a vida não se restringe ao harmônico, a arte não apenas um refúgio mas também uma luta - e uma dose planejada de desarmonia pode ser ela mesma salutar, como reza o velho adágio sobre venenos na dose certa.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
O GRANDE APRISIONADOR (Parte II)
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| Peter Zokosky, "Attraction" (2008) |
UM CLARÃO EM MEIO À ESCURIDÃO
"Como caíste do céu, ó Lucifer, filho da alva!"
Isaías 14:12
Conforme a Luz descende, o Inferno, até então escondido, se revela.
E o Inferno é a Matéria, o Caos, a receptividade original, a Deusa antes de parir o universo.
E a Luz é uma contaminação. A matéria está sendo contaminada pela Luz. Ela reage à esta estranha presença, criando o fantasma do Mal.
O Diabo em sua queda é o bode expiatório à quem foi confiada a maior e mais ingrata de todas as tarefas: levar a tocha pra dentro da caverna. É por culpa dele que enxergamos. E como odiamos enxergar!
sexta-feira, 24 de março de 2017
Ensaio sobre o Disco
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| Ace of Disks, Thoth Tarot (Crowley-Harris) |
O DISCO É A TERRA
E a Terra é uma grande roda. Tudo que vai, volta; do pó viemos ao pó retornaremos; a gente come, a gente caga, o adubo faz a plantinha crescer pra gente comer de novo. O dia sucede à noite, a noite ao dia; a isso todos os seres vivos se adaptaram, cada qual a seu modo - entre o descanso e a atividade. O giro do disco é inexorável, e a única certeza possível é que nada permanecerá parado, parar é a própria morte, mas mesmo a morte é só mais um passo rumo uma outra vida. O Disco é Anicca, a impermanência, e por isso a Terra é o Eterno Retorno da Diferença.
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quinta-feira, 2 de março de 2017
Contra o ideal ascético
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| (arte: Hans Burgkmair) |
Rezam algumas tradições que o curso de ação mais virtuoso é a renúncia ao mundo e à sociedade: o ideal ascético. Subir a montanha ou vagar no deserto, sacrificando a vida a um outro mundo no Céu ou na extinção do Ser no Nirvana: tudo menos esta bagunça aqui de fogo, lama, sangue e poeira.
Similarmente, o que passa como "cultura" hoje - e talvez na maior parte da história civilizada - é de uma pequenez de sentido que chega a doer. Quero dizer, as discussões porcaria da tevê ("Malhação discute o problema das drogas"). Mais uma geração de celulares, dessa vez com megapixels extra. Miniaturas de capacete. Vibradores em forma de super-heróis. Outro retrô nostálgico de outra década perdida. Roupas na moda este verão. Caetano estaciona no Leblon. "Porque ele não se mata de uma vez / pula logo deste prédio?" (essa frase eu ouvi várias vezes ontem). Até coisas verdadeiramente pungentes e baseadas em experiência vivida, como por exemplo o dilacerante legado da escravidão e do patriarcado, acaba diluído em briguinhas virtuais que gastam muito tempo de todo mundo e adiantam muito pouco. Tudo isso em eletrônicos cuja fome de energia justifica chutar os Munduruku pra fora de sua terra sagrada. Em petróleo cavado à custa de vazamentos de óleo como o da BP. Cuja mineração acarreta desastres como o assassinato do Rio Doce pela Samarco/Vale/BHP. Cuja produção é feita em fábricas com trabalho semelhante à escravidão. Cujos componentes tóxicos serão empilhados na Africa sob a alcunha de "reciclagem".
sexta-feira, 8 de julho de 2016
O Futuro da Magia
sábado, 12 de março de 2016
O GRANDE APRISIONADOR (parte I)
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| "Satan", por Kalmakoff |
Agora, Satã, o Diabo é uma figura complexa, da qual vale destrinchar um par de fios os quais são de uso para fazer sentido dessa afirmação. Os Cristãos fazem hoje o sincretismo da Serpente (do Jardim) com o anjo acusador do judaísmo, Satã, que por algum nó surreal veio a absorver o título antes reservado a Cristo: Estrela da Manhã. A imagem, certamente tributária de Milton, é a de uma estrela caída ao subterrâneo por sua Luz autocêntrica, e com ela seguiram também vários anjos, preferindo habitar o Caos da matéria desprovida de inteligência à viver sob a condução da Vontade celeste.
E assim o Diabo ganha associação com elemento Terra, uma vez que é o único elemento capaz de "resistir" à divina inteligência - aliás, o papel da Terra é durar! Vemos na carta O Mundo, do Tarot, que o Touro (que simboliza a Terra) é o único dos 4 Animais Viventes desprovido de auréola. Já chifres, e patas de bode O Diabo adquire apenas durante a idade média, durante a lenta e constante perseguição às outras religiões (ditas "pagãs"), no que absorve em seu campo semântico as deidades ferais masculinas, associadas aos cultos de fertilidade da terra.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
As Razões Profundas da Permanência do Poder
- ou, porque somos tão apegados aos nossos grilhões?
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| Arte por Pawel Kuczynski |
Sejam bem-vindos à pós-modernidade. As Bonecas Trouxas fazem as vezes do Gorila Chorão (de Alan Moore), quando a merda do colapso ecológico atinge o ventilador da consciência pública e o niilismo atinge proporções pop. Uma nova geração de filósofos niilistas conversa pelo Facebook em tweet-aforismos:
Caso encerrado? "Que se exploda a moral". Nada verdadeiramente tem sentido... (Ou não! Recuar amedrontados ante a ameaça de perder as referências familiares, voltando os olhos à TV ou aos Gifs como um deus de bolso a prover doce esquecimento). Fácil falar, difícil é vivê-lo na prática. Afinal se por um lado eu piso em formigas como quem não vê nada, quando eu perco um ente querido pra morte , meu coração clama por justiça! do! universo! E o Universo, esse bastardo, mantém o silêncio. Entre o profundo não-se-importar da natureza, e as demandas sentimentais e filosóficas da vida humana, há uma disjunção. A verdade é que aqui questão só começou a se colocar; e no espaço que se abre, é finalmente possível pensar a Ética.
sábado, 24 de outubro de 2015
Comentário de reaça
Haja amor no coração pra ler comentário de reaça em site de notícias. Mas até esse infortúnio serve pra uma coisa: lembrar que não estamos na Terra à passeio. O poço da escuridão é fundo, fundo mesmo. Cada um tá num tempo, o mundo é e sempre foi uma diversidade de ritmos. Sempre foi um lugar de muita grosseria, muito ódio gratuito, muita cegueira. Talvez venha sempre a ser, mas ainda assim, acredito que vale mais a pena viver pela aposta de que é possível melhorar esse cantinho nosso, em especial através do cultivo cuidadoso da consciência, da transcendência do egoísmo através da consciência. (e não há ferramenta pra esse fim que seja mais certeira e provada pelo tempo que a meditação). Acredito que uma mudança minúscula, uma pequena diferença, é infinitamente melhor que mudança nenhuma, e talvez - alguns de nós - sejam capazes também, eventualmente, de fazer grandes diferenças.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
E agora que a revolta é pop?
É possível até ter saudades de 2012. Antes da dita "Primavera Brasileira", vivíamos um cenário aparentemente simples. A maioria omissa mantinha o silêncio; uma minoria de fascistas clamava a volta da ditadura, e uma minoria de esquerdistas radicais clamava (como sempre) por revolução. A maioria omissa, claro, favorecia a manutenção do status quo, que desde a primeira posse governamental do PT significava barganha política com os coronéis em troca de avanços sociais-democráticos - o empresariado estava feliz, os ruralistas estavam felizes, os evangélicos em franca ascensão junto ao poder de consumo da classe C. Só um bando pequeno de empresários ligados aos tucanos talvez reclamasse, mas sua voz não importava enquanto o Brasil crescia a 5% ao ano.
Quem ia à rua, então, eram apenas os movimentos identitários e miscelânea radical de esquerda. Incitar a revolta parecia a melhor opção; era preciso acordar as pessoas do transe induzido pelos produtos baratos chineses, e alertá-los de que o mundo estava sendo destroçado, de que ainda se matava pretos na favela e índios na roça, de que as mulheres ainda não podiam decidir por seus próprios corpos, de que a renda era distribuída de forma insustentavelmente desigual.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Máquinas Invisíveis
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| art by Larry Carlson |
Você pode ouvir o barulho das máquinas trabalhando? Isso que a gente chama de realidade diurna me parece mais um frenético sonambulismo, e cada passo que se desdobra na matéria são cem mil passos do Outro Lado da tela. A vida humana surge numa descarga elétrica, a colisão do cometa-esperma e o planeta-óvulo, BOOOOM! - aí vem a montanha russa neste circo louco & quem tem chance de parar e se perguntar "pra onde eu tô indo" geralmente adquire um mínimo de perspectiva após vá lá duas décadas. Enquanto isso, nosso caminho se traça entre os trancos e esbarrões da mistura de nosso singulares impulsos vitais, os condicionamentos sociais a que somos submetidos e os acidentes da vida.
domingo, 28 de junho de 2015
O próximo passo
É preciso andar pra frente. Jesus na cruz já não mais basta, aliás, ninguém mais suporta. É preciso voltar a enxergar com os olhos do Cristo vivo, aquele que vivia em Si o Reino do Céu assim como vivem as Crianças e os Animais (a natureza viva, energia móvel e descondicionada), o mesmo Cristo cuja morte foi selada pelo povo, abandonado por seus próprios seguidores (salvo, claro, as mana mais firmeza), o mesmo Cristo que chutou os mercadores do templo e que trouxe não a paz mas a espada! E fizeram uma religião da Morte da Energia Viva, uma pedra pra selar o túmulo daquele que no entanto volta em cada Criança, em cada Animal, e precisa ser de novo, e de novo, assassinado, pela pedra que lhe puseram em cima. A Criança e os Animais são, ademais, todos nós. E também, em nosso centro, somos Cristo. Resta a tarefa de realizar isso cada um a partir de seu próprio centro. Isso é andar pra frente.
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sábado, 11 de abril de 2015
O Livro da Lei segundo o I-Ching (parte 3 de 3)
Perguntei ao I-Ching: "Qual a pertinência do Livro da Lei para a humanidade?"
Meu resultado foi o hexagrama Sung, "Conflito", com a 4ª e a 6ª linha móveis, que nos conduzem ao hexagrama Kuan, "Contemplação":
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Os arco-e-flecha que caíram do céu
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| "Darkstar Journey", Larry Carlson |
Da parte destes marxistas, "trabalho" é o esforço socialmente organizado pra atender as necessidades materiais. Seria portanto algo universal, já que todos comem, e arcos-e-flecha não caem de árvores. As conotações negativas que a palavra "trabalho" me evocam seriam referentes apenas ao trabalho alienado, nas condições do capital (e, presumo, também da servidão pré-capitalista).
Eu questionava até onde era possível dizer deste "universal" sem com isso atropelar a alteridade. O que eu dizia é que os recortes que eles traziam, ao construir esse "universal", não eram nada universais, partiam aliás de concepções bem particulares à vivência do proletariado europeu do século XIX, pressupondo um "sujeito humano" essencialmente distinto da "natureza", que usa a "cultura" para "moldar" a segunda. Ao invés de discutir nesses termos, preferi dedicar-me a esburacar essas concepções, denunciando sua particularidade, para quiçá recomeçar a conversa em outros termos.
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Que que pega aqui na área
| Pawel Kuczynski |
Aqui na minha área, mega-fazendeiros que vendem soja pra China tão devastando o interior, trocando matas e serras abundantes & intrincadas por centenas de km (literalmente) de megafazendas venenosas. Toda aquela diversidade retificada até restar só um deserto verde e monótono.
A diversidade cultural é devastada também; interior agro-boy "barretizado", sem livrarias mas muito sertanejo unversitário made-in-microondas. O povo em sua maioria conservador, elitista, e cada vez menos hospitaleiro. Na ausência da vegetação nativa, o clima vai esquentando por todo canto. Nos rios não dá mais pra nadar (e nada de praia nas cidadonas). "Progresso", no meu país, acaba tendo implicações verdadeiramente INFERNAIS.
Bom, em todo canto né? Cada espécie extinta é mais um passo próximo de um colapso ambiental completo. Cada buraco no ciclo da vida é mais um desbalanço se somando a outro, até que de repente a parada balança tanto que a casa cai.
A gente tem mãos fortes de robô, mas não consegue manusear a vida com suficiente delicadeza. (coloca isso na conta de 10000 anos ou mais de patriarcado).
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Que o Diabo seja meu Deus
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| Parte de "Scuola di Atene", de Rafael |
Traduzi e estou divulgando este ensaio pois me causou arrepios na espinha. Seu nome original é "Devil be my god", seu autor é o mago americano Lon Milo Duquette e é parte ser encontrado de seu excelente livro "Angels, Demons & Gods of the New Millenium", disponível aqui. A história que DuQuette conta não é mesma que está na Wikipedia, mas provavelmente tem também seu quinhão de verdade. Espero que a leitura inspire a vocês assim como me inspirou - dada a necessidade de combater o crescente obscurantismo na mídia, política e opinião pública (das quais a bancada evangélica e a ruralista tem sido símbolo).
No ano 415 D.C. Cyril, o Bispo de Alexandria, se encontrava numa posição muito desconfortável. Não apenas estava atulhado com a tarefa de compor doutrinas viáveis (1) a partir das conflituosas e confusas tradições do jovem culto cristão, mas também esperavam dele que o fizesse em meio à cidade pagã mais sofisticada e iluminada da Terra.
Muito antes do alegado nascimento virgem do salvador crucificado, Alexandria, com suas escolas celebradas e bibliotecas, amamentou as grandes mentes do mundo Mediterrâneo e Asia. Aqui a religião e filosofia foram amantes, e de sua união nasceu um ambiente dinâmico de diálogo e debate. Em mais de uma ocasião Cyril tentou arrebanhar convertidos do corpo de estudantes da Academia Neo-Platônica, apenas para ser chocado pela percepção desconfortável de que os filósofos calouros sabiam bem mais que ele mesmo a respeito das sutilezas e limitações de sua própria fé. Incômodos como fossem esses momentos, Sua Graça os suportou obedientemente. Eles o proporcionavam a oportunidade de sofrer por sua fé. Sua paciência se esgotou, contudo, quando sua fé e reputação foram desafiadas por uma brilhante e carismática luminária da Escola Alexandrina de Neo-Platonismo, Hypatia - a maior Iniciada mulher do mundo antigo.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
À RESPEITO DE RELIGIÃO (parte 2)
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| Vajrayogini |
Na parte 1 desse texto, expliquei a diferença entre diversos tipos de prática religiosa, enfatizando as práticas marginais dos ascetas, xamãs e magos. Nesta parte, eu me proponho a elaborar melhor qual é o fazer marginal da religião - amarrando tudo na categoria de "êxtase", e como a partir do êxtase podemos lançar uma visão crítica por sobre o materialismo.
As ciências do êxtase:
A mente máquina maquina, à trabalho da inteligência do corpo. Aproxima-se do que causa prazer, afasta-se do que causa dor. Automatização para poupar energia. Tudo a inteligência do corpo. Por sobre essa base, inventamos o simbólico, e com isso o fazer humano virar 'cultura'. A mente se ocupa: conseguir parceiros sexuais - conseguir comida, água, abrigo - manter-se observante dos riscos. E eis que surge o fogo. Ao seu redor, certa segurança, a escuridão circundante impõe imobilidade. Sob a insinuação da Chama, o simbólico prolifera. A mente deriva - surgem histórias. E também na imobilidade que a caça demanda, também na arte borrocada nas paredes, no relaxamento do gozo e consumo de psiquedélicos... A mente voa. Em meio à esses voos, a humanidade inventou/descobriu o ÊXTASE.
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