quarta-feira, 8 de abril de 2015
O Livro da Lei segundo o I-Ching (parte 1 de 3)
Em comemoração ao feriado thelêmico dos 3 dias da escrita do Livro da Lei, decidi compartilhar com vocês uma divinação (e sua análise) que realizei através do I-Ching. A pergunta é:
Qual a pertinência do Livro da Lei para a humanidade?
Como nem todo mundo tá por dentro do que estou falando, começo explicando o que é o I-Ching, e o que é o Livro da Lei.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Os arco-e-flecha que caíram do céu
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| "Darkstar Journey", Larry Carlson |
Da parte destes marxistas, "trabalho" é o esforço socialmente organizado pra atender as necessidades materiais. Seria portanto algo universal, já que todos comem, e arcos-e-flecha não caem de árvores. As conotações negativas que a palavra "trabalho" me evocam seriam referentes apenas ao trabalho alienado, nas condições do capital (e, presumo, também da servidão pré-capitalista).
Eu questionava até onde era possível dizer deste "universal" sem com isso atropelar a alteridade. O que eu dizia é que os recortes que eles traziam, ao construir esse "universal", não eram nada universais, partiam aliás de concepções bem particulares à vivência do proletariado europeu do século XIX, pressupondo um "sujeito humano" essencialmente distinto da "natureza", que usa a "cultura" para "moldar" a segunda. Ao invés de discutir nesses termos, preferi dedicar-me a esburacar essas concepções, denunciando sua particularidade, para quiçá recomeçar a conversa em outros termos.
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terça-feira, 20 de maio de 2014
Daqui a Cinco Mil Anos
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| Fonte: desconhecida |
Se tem algo que a auto-observação atenta me revelou, é que: O corpo é memória. O corpo, que digo, é um corpo monista. inclui também a mente e o cérebro.
Ainda à flor da pele moram as memórias recentes; já nos recessos mais profundos dos músculos estão travadas as memórias dolorosas da infância, de cada choro que tivemos de engolir, de cada humilhação que suportamos em vias de conservar o amor e cuidado de nossos pais. O corpo expressa a todo momento a sua história, com suas cicatrizes, movimentos e criações. O corpo já nasce sendo gravado de memória por todos os lados - pelas instituições sociais que o recebem no mundo; pelos corpos dos pais e familiares; e também pela linguagem. Nosso parto é só mais um argumento em linhas de fissura ancestrais, indivíduo x sociedade, natural x social, razão x emoção, homem x mulher, céu x terra. Cada parto humano uma síntese desse debate, e cada síntese uma solução apenas parcial pros velhos dilemas, recriando o debate a partir daquilo que se manteve ainda insolúvel.
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Que que pega aqui na área
| Pawel Kuczynski |
Aqui na minha área, mega-fazendeiros que vendem soja pra China tão devastando o interior, trocando matas e serras abundantes & intrincadas por centenas de km (literalmente) de megafazendas venenosas. Toda aquela diversidade retificada até restar só um deserto verde e monótono.
A diversidade cultural é devastada também; interior agro-boy "barretizado", sem livrarias mas muito sertanejo unversitário made-in-microondas. O povo em sua maioria conservador, elitista, e cada vez menos hospitaleiro. Na ausência da vegetação nativa, o clima vai esquentando por todo canto. Nos rios não dá mais pra nadar (e nada de praia nas cidadonas). "Progresso", no meu país, acaba tendo implicações verdadeiramente INFERNAIS.
Bom, em todo canto né? Cada espécie extinta é mais um passo próximo de um colapso ambiental completo. Cada buraco no ciclo da vida é mais um desbalanço se somando a outro, até que de repente a parada balança tanto que a casa cai.
A gente tem mãos fortes de robô, mas não consegue manusear a vida com suficiente delicadeza. (coloca isso na conta de 10000 anos ou mais de patriarcado).
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domingo, 29 de setembro de 2013
A Resistência será Micropolítica
um manifesto da FRENTE DE COMBATE SURREAL-REICHIANA
com memórias do EVENTO TERRA PRETA
que se passou na comunidade EMANUEL GUARANI-KAIOWÁ
assim como das JORNADAS DE JUNHO
Recentemente realizou-se em Contagem/MG um evento libertário chamado "Terra Preta", que passou-se numa ocupação sem-teto (Emanuel Guarani Kaiowá) organizada pelas Brigadas Populares. (1) Durante o Terra Preta muit@s anarquistas oriund@s de tudo quanto é parte aportaram na Guarani-Kaiowá. Entre el@s - uma dose enorme de anarc@-punks, situacionistas, anarc@-tropicalistas ou outras vertentes do libertarismo.
É sem dúvida chocante para o moralismo mineiro receber esta procissão exótica de centenas de pessoas perfuradas, tingidas, tatuadas, potencialmente drogadas e sexualmente transgressivas. Durante o próprio encontro houveram ondas de preocupação, especialmente enquanto corriam boatos discrepantes sobre crianças apanhando do pai por tal ou qual influência d@s punks. (2) Mas a guerra não eclodiu. Parte disso se atribui, certamente, ao cuidadoso processo de aproximação com a comunidade por parte d@s organizador@s (e isso tem de ser louvado). (3) Mas o fato foi também que, a despeito de todo o choque, donas de casas nos receberam com o maior carinho - pessoas em situação de pobreza por vezes extrema ofertando pão, café e fofura generosamente. As crianças se esbaldaram no contato com os punks e doidões, jogando malabares, capoeira, aprendendo massagem e subindo na árvore. Os maconheiros da comunidade (quadrados, tremei! eles estão por toda parte!) se aproximavam sem pudores das rodas de conversa, de violão, de atividades. Quando da (memorável) apresentação d@ Anarc@funk (RJ/SP), puxada pelas bixas, trans e sapatas queer-punk sanguenozói, foi precisamente o morador que já sofreu ostensivamente agressões homofóbicas que tomou o microfone em mãos e mandou ver um beat-box feroz.
Houve fechamentos? Certamente. Eu o vi em alguns rostos enquanto passava. Mas por via de regra, o que observei foi o seguinte: a maior condutividade pra troca na diferença é pelas margens. O centro do poder, onde quer que se instale, só permite a ideologia da identidade, o fechamento e redução ao mesmo.
Houve fechamentos? Certamente. Eu o vi em alguns rostos enquanto passava. Mas por via de regra, o que observei foi o seguinte: a maior condutividade pra troca na diferença é pelas margens. O centro do poder, onde quer que se instale, só permite a ideologia da identidade, o fechamento e redução ao mesmo.
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
O Fora do Eixo sob o microscópio: uma visita à Casa FdE Minas
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| Capilé e Torturra no Roda Viva |
Em uma das recentes polêmicas que se espalharam pelo Facebook, me convidaram pra visitar uma das casas FdE e conhecer com meus próprios olhos. O FdE já é objeto de discussão e crítica na esquerda há uns bons anos, embora tenha sido só agora - após um artigo do Reinaldo Azevedo na Veja e a gloriosa entrevista pelos dinossauros da mídia no Roda Viva - que o assunto realmente atingiu o escrutínio público.
Eu topei de bom grado o convite pra ir visitá-los. Sinto que o FdE me tange bastante pessoalmente, por uma miríade de razões. Em 2011, quando emergiram as primeiras polêmicas sobre o FdE quando do artigo crítico do Passa Palavra, foi à filosofia Deleuze e Guattari (filtrada através de seus discípulos Hardt e Negri) que defensores do FdE recorreram para tentar defender a pertinência política de sua prática. Porém, como leitor de longa data desses autores, me é clara a contradição entre as frequentes exortações à prudência oriundas da dupla de filósofos, e o entusiasmo dos pró-FdE com o "novo", "digital", 2.0, como se novo significasse automaticamente "bom" ou "melhor". Se os inimigos da humanidade puderem, inventarão novas formas de dominação a cada dia... Algo já não cheirava bem aí.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Que o Diabo seja meu Deus
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| Parte de "Scuola di Atene", de Rafael |
Traduzi e estou divulgando este ensaio pois me causou arrepios na espinha. Seu nome original é "Devil be my god", seu autor é o mago americano Lon Milo Duquette e é parte ser encontrado de seu excelente livro "Angels, Demons & Gods of the New Millenium", disponível aqui. A história que DuQuette conta não é mesma que está na Wikipedia, mas provavelmente tem também seu quinhão de verdade. Espero que a leitura inspire a vocês assim como me inspirou - dada a necessidade de combater o crescente obscurantismo na mídia, política e opinião pública (das quais a bancada evangélica e a ruralista tem sido símbolo).
No ano 415 D.C. Cyril, o Bispo de Alexandria, se encontrava numa posição muito desconfortável. Não apenas estava atulhado com a tarefa de compor doutrinas viáveis (1) a partir das conflituosas e confusas tradições do jovem culto cristão, mas também esperavam dele que o fizesse em meio à cidade pagã mais sofisticada e iluminada da Terra.
Muito antes do alegado nascimento virgem do salvador crucificado, Alexandria, com suas escolas celebradas e bibliotecas, amamentou as grandes mentes do mundo Mediterrâneo e Asia. Aqui a religião e filosofia foram amantes, e de sua união nasceu um ambiente dinâmico de diálogo e debate. Em mais de uma ocasião Cyril tentou arrebanhar convertidos do corpo de estudantes da Academia Neo-Platônica, apenas para ser chocado pela percepção desconfortável de que os filósofos calouros sabiam bem mais que ele mesmo a respeito das sutilezas e limitações de sua própria fé. Incômodos como fossem esses momentos, Sua Graça os suportou obedientemente. Eles o proporcionavam a oportunidade de sofrer por sua fé. Sua paciência se esgotou, contudo, quando sua fé e reputação foram desafiadas por uma brilhante e carismática luminária da Escola Alexandrina de Neo-Platonismo, Hypatia - a maior Iniciada mulher do mundo antigo.
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